Setembro é o meu mês, é meu mesmo porque é o meu aniversário. Naturalmente, vira meu mês de referência do ano.
Costumo brincar que quando meu aniversário chega, o ano acaba.
Mas também é em Setembro que faço meu aniversário de mudança pra Berlim. É a época que eu reavalio tudo, penso no que passei e nas perspectivas futuras. E esse mês eu fiz 8 anos de Berlin.
Muito e pouco é bem relativo, mas acho que 8 anos já tem um peso bem marcante. Não sei, talvez seja piração minha.
Agora que estou estudando de verdade Alemão, tenha tido o choque de realidade do tanto que estou defasado e que se tivesse continuado a estudar, hoje a situação estaria muito melhor. Mas como dizem por aí o “e se” cabe qualquer coisa.
Acho que dado o momento de pandemia/lockdown, talvez se eu tivesse empilhado todo o stress de estudar Alemão, a coisa teria sido muito diferente. Talvez qualquer coisa de ruim que tivesse acontecido naquela época, hoje já seria passado, já teria passado.
Mas de novo volta no “e se”.
Melhor tentar ficar com o pensamento que as coisas aconteceram e estão acontecendo no tempo que elas precisam acontecer. Me incomoda um pouco o “fiz o que deu, no tempo que deu”, mas é meio por aí mesmo.
Nunca vai ser perfeito, então não importam as escolhas que eu fiz, sempre teriam alternativas e hoje eu estaria olhando para elas e pensando “e se”.
Mas Setembro também é o mês que começa o Outono. A minha estação favorita, a cidade fica mais bonita. O calor vai embora, mas o frio ainda não é tão pesado.
Os dias voltam a ter uma duração mais ou menos normal então dá aquela sensação de normalidade.
Por aqui as árvores já estão ganhando os tons laranjas e marrons do Outono e está tudo ficando muito bonito.
Tudo é novidade pra mim nesse bairro novo, então a experiência está sendo ótima.
Talvez eu devesse sair pra fotografar o bairro, pelo que ví tem um cemitério por perto, alguns parques e sem contar o meu laguinho que já é um dos meus pontos favoritos.
Esses dias vi um fotógrafo falando sobre o conceito de “Hiperlocalismo” na fotografia.
A idéia é que em um mundo cheio de IA (re)produzindo imagens de locais conhecidos, coisas famíliares às pessoas e imagens produzidas em série, você fotografar detalhes e as coisas únicas da sua região ou localidade, trás de volta aquela coisa da descoberta e da surpresa.
Gerar mais uma foto de um ponto turístico, mega conhecido, só vai ser mais uma foto desse lugar. Agora uma foto única daquele cantinho no caminho da sua casa até o metrô, essa, dificilmente, vai ter alguma similar.
Esse é um propósito interessante.


